Saudosismo ou realidade? Até que ponto o jovem de hoje está disposto a realizar o sonho de se tornar um atleta profissional?

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Amarildo Vieira era personagem folclórico antes dos treinos da Portuguesa Londrinense. Cartola antigo e apaixonado pelo clube, Vieira entrou para a história do futebol paranaense com feitos milagrosos e muita paixão pelo que fazia. Sempre tinha um conselho aos jovens que viu em alguma pelada da cidade, em jogos de base ou mesmo encostado em divisões menores. Amarildo, no final dos anos 90, era o que chamamos de “empresário” ou “agente” hoje. Graças ao cartola, a modesta Lusinha revelou Lucas Leiva, Miranda, o goleiro Gomes, entre outros jogadores de nível mundial. 


Mas será que é fácil ser ‘empresário” no futebol atual? A imagem que se tem é de que o agente ganha muito dinheiro com as transações e até em participações nos salários dos astros. A realidade é diferente, bem diferente… 


Entrei em contato com Beto Silvestri, um dos sócios proprietários da DKMS, empresa com sede em Guarapuava (PR), especializada em formação de atletas. Silvestri conta que no começo, chovia ligações de todo o Brasil indicando um “Novo Neymar”, segundo ele, tem que saber filtrar os ouvidos, ter um ótimo olho e nunca agir só com o coração. A DKMS se especializou ao longo dos anos em revelar jogadores africanos. O motivo? Eles são fortes, focados, se assemelham tecnicamente ao brasileiro e dão muito valor quando aparece uma oportunidade, afirma Silvestri.  “Recebemos na semana passada dois meninos nigerianos, como de praxe os levamos para o teste ergométrico. Ao final do teste, o médico nos chamou e na hora me veio a mente alguma notícia ruim, não era. O médico disse que já havia feito mais de 6000 testes e nenhum nunca chegou perto do resultado dos nigerianos. “A história contada acima pelo empresário guarapuavano, ilustra bem o risco e de certa forma o fracasso em investimentos no atleta canarinho. O africano que cruza o continente, não aceita voltar ao seu país para trabalhar o dia todo por um prato de comida. Ele vê na bola, a chance da vida e a palavra “desistir”, não está presente no dicionário deles. 


O ex-atacante Paulinho Canhão de Pinhal está entre os maiores atletas de toda a história da agremiação londrinense, surgida em 1956. Foi campeão da Taça de Prata 1980 e do Campeonato Paranaense 1981 pelo LEC. Também foi artilheiro em uma das edições do estadual. Entre os principais clubes que defendeu também estão o Santos e o Coritiba, além de ter uma passagem pela Seleção Paulista. Atualmente o artilheiro trabalha na base do Olímpia (SP) e reforça o posicionamento do empresário Beto. “Hoje em dia essa molecada quer tirar foto, quer celular, jogar que é bom nada”, conta Paulinho. Para ele, as dificuldades de hoje não são nem 10% do que eram na época em que Paulinho jogava. “Eles desistem muito fácil, na minha época a gente tinha vergonha de levar um não e dava mais valor nas oportunidades”, comenta. 


Parafraseando o trecho da música de Lulu Santos, “Assim caminha a humanidade…“, ciclos e gerações novas, que fazem com que adaptemos e entendemos de forma ligeira, o movimento para não ficarmos para trás, literalmente.

Você também pode ler nossa coluna da sexta nos jornais impressos União e Rolândia.

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